
"Nomes... De onde vêm?"
Vivem me perguntando de onde tirei ou tiro os nomes dos personagens. E é uma pergunta com uma porção de respostas. Porque cada um dos personagens de nossas histórias em quadrinhos nasceu e foi batizado num momento diferente, especial, onde diversas influências pesaram para a música de seus nomes.
Bidu, por exemplo, nome do meu primeiro personagem profissional, é resultado de uma "eleição" que fiz na redação da Folha.
Posteriormente, nas tiras do Bidu, começou a aparecer um menino de cabelos espetados e que trocava o "r" pelo "l" quando falava. Era baseado num garoto de Mogi das Cruzes que jogava bola perto da barbearia do meu pai. E foi meu pai que, observando o menino e seu cabelo parecendo com o alto de uma cebola, começou a chamá-lo de Cebolinha. Peguei daí o nome e parte dos detalhes físicos.
Junto com o Cebola jogava bola outro garoto, de roupas sempre muito sujas de barro, de terra, e que, aparentemente, vivia muito longe de um banho.
Mais uma vez meu pai sugeriu um apelido que pegou: Cascão.
Quando criei o Cebolinha, o Cascão foi criado junto. Mas durante muito tempo não tive coragem de lançar o personagem com medo de que o público não o recebesse bem (pelos maus hábitos de higiene).
A Mônica, como a maioria dos nossos leitores sabe, foi baseada na minha filha homônima, com muito do seu jeitinho, gênio e personalidade. Quanto ao nome Mônica, da filha real, saiu de uma lista que eu fazia em casa, com muitos nomes sugeridos pela mãe, pelos parentes. Onde eu pinçava o que me parecia melhor, mais forte, mais musical.
Maria Cebolinha, a irmã do Cebolinha, vem da Mariangela, minha primeira filha. E o nome Mariangela também saiu de uma listinha.
E Magali, como os leitores também devem saber, veio de minha filha real, a Magali. Ambas gulosas. O nome fui buscar na lembrança de uma estrela do cinema francês que fazia sucesso na época: Magali Noel.
Chico Bento é o nome de um meu tio-avô que não cheguei a conhecer. Vivia nas histórias que minha avó contava dos seus tempos de vivência na fazenda da família, no atual bairro do Taboão. Segundo a vó Dita, Chico Bento era um homem superdivertido, gozador, juntamente com seu irmão gêmeo, Zé Bento.
Penadinho vem de alma penada, fantasma.
Papa-Capim é um pássaro, comum na Bahia.
Piteco veio de "Pithecanthropus Erectus", um dos homenzinhos pré-históricos que de vez em quando dão o ar da graça em ossinhos desenterrados pelos paleontólogos.
Tina veio de Cristina, uma conhecida minha dos tempos de colégio.
Pipa nem sei de onde veio. Talvez quando eu a desenhei pela primeira vez, tenha achado que ela se parecia com uma.
O Rolo, meio baseado no meu irmão mais novo, Márcio, veio dos tempos em que o mano, muito jovem, era especialista em arrumar rolos por aí.
Astronauta só poderia ser astronauta. Não houve muita criatividade na busca do nome.
O nome do Horácio fui buscar num amigo, professor, em Mogi. Mas a forma do mesmo personagem foi inspirada num outro amigo mogiano, o Timinho.
O elefante Jotalhão tem esse nome porque nasceu numa série de tiras encomendada pelo jornalista Alberto Dines, então no Jornal do Brasil,do Rio. Daí, o "J".
29.04.1998 Maurício de Sousa.